domingo, outubro 28, 2007

terça-feira, outubro 09, 2007

Sentimentos


Sempre

encontro
os poemas
nos teus olhos

Sentimento
de uma festa
por inventar

Que dão voz
mesmo ao grito
das palavras
na viagem
aos teus sonhos
por sonhar

É possível
beber letras
no teu canto


Com cantigas
para domar
esta saudade
No regresso
dessas margens
do teu tempo
noutras ondas
que buscam
A liberdade

Muito correm
as memórias
no teu corpo


Rompem mágoas
só bebidas
na paixão
mas no cerne
desse barco
que precisas
há um porto
de regresso
ao coração.

quinta-feira, outubro 04, 2007

"O BAILE" de NOVO em CENA!




PEÇA de TEATRO "O Baile" novamente em cena. Desta vez na SFUA em PINHAL NOVO nos dias 6 e 7 Outubro 21.30h e 16.00h respectivamente

domingo, setembro 16, 2007

O Meu Mar




Desembarquei aqui
Neste rumor do vai vem
Incerto das ondas.

A minha vida sentou-se
à beira do mar
Com o rosto aberto
e frio no coração.

No leito do teu corpo
Haviam margens a desbravar
E madrugadas
com sede do meu amor.

O teu sonho era a minha praia
a medrar todos os dias
em maré-cheia
onde ficavam restos de ternura
pelo chão
quando o rio sonhava
em desaguar

Descobrir-te
foi um tempo de alegria
com pássaros a nascer
por entre os dedos
a voar na esperança
para te encontrar

Este poema
De espuma e de lendas
levar-me-á
ao romper do teu canto
onde as palavras
têm os pulsos imóveis
com rosas duras nos gestos
e travo a mulheres maduras.

Pela manhã
Partirei
De novo
Nessas ondas
Onde o amor
Serás tu
Certamente!


sexta-feira, agosto 10, 2007

S A U D A D E


Há entre mim e a noite

Uma janela de saudade
Com sombras cortadas à espada
Que choram no suplício dos dias
A sede da tua ausência

Olho-te com olhos de casas vazias
E atravesso portas
Como se penetrasse no peito
Do teu corpo de lua cheia

Agora tu não existes
Mas deixa-me inventar-te
Porque tu és feita de mar
E eu apenas um rio
Que corre em maré cheia
E a querer em ti desaguar

Tento construir em todas as ruas
O teu nome em arabescos coloridos
Mas que se leiam no fundo
Do tempo sem memória

Pois para além de mim
Há beijos enlouquecidos
Que ficaram à beira mar
Quando o sol se Pôs.

terça-feira, julho 24, 2007

O Prof.Kira lá me certificou!



Não sei ainda como foi;
Pois se para mim o céu e o rio são Amarelos ou Cinzentos!
Mas o que é certo, é que está aqui o Certificado
assinado por ele. Prof. Kira


quarta-feira, julho 11, 2007

Complicadas Coisas

Porquê esse silêncio quando entrei no café?
Porque é que se calaram quando nasci?
Por respeito, inveja ou despeito?
Ou porque certas coisas já emitidas me queriam omitir?
Culpa, não tive nenhuma porque ninguém
me consultou, se estava ou não interessado em aparecer.
obviamente! Os meus pais trocaram votos,alianças e assinaturas pela igreja.
Claro, viveram como todos os demais, pobres… mas felizes, entre comas que não são parêntesis.
Eles sabiam lá, que se vendiam camisas de Vénus, preservativos ou camisinhas no Chiado ou nos Champs- Elyssées!
Ou que o coito se interrompia na América em Amesterdão ou na Praça do Brasil.
A minha avó era apenas Maria e bonita e o meu avô
nos anos da guerra, passava horas nas filas, ou bichas, sem serem gays, dos géneros racionados e morreu tuberculoso.
Dizem, que chegou a ir à sopa do Sidónio que era Pais e déspota deste País à beira mar plantado pelos Árabes.
Ninguém, antes de nascer, me contou.
Juro que ninguém me confidenciou, que o leite de cabra estava esgotado... e que o feito em pó, se bebia como alternativa.
E que anos depois entraríamos na era do consumismo, da cola-cao e da Coca-Cola, que davam automóveis.
Também ninguém, colocou a boca no trombone p´ra me dizer, que havia uma guerra para cumprir, que nenhum de nós encomendara e uma farda para vestir, que larga me ficava e que mais magro me fazia sentir e parecer.
Que haviam mulheres, sem planeamento familiar, que à esquina me atormentavam, para com elas trocar dinheiro por espermatozóides, fazendo de mim mais um, talvez…o Vinte mil e tal.
Ninguém me informou também, que casas e empregos não haviam para todos, mesmo que se inscrevessem nas Instituições ditas Governamentais.
E que ao nascermos, seríamos mais um, para connosco dividirem a dívida externa.
E também nunca me disseram, que tínhamos de importar ministros, cerejas e dentistas e exportar futebolistas,tudo isto a bem da Nação e sem nos importarmos.
Ninguém, nem por uma vez, me disse que alguns só almoçavam dia sim, dia não e outros ainda, só dia não, dia não.
E também...
Nunca, mas mesmo nunca, me disseram…
Que a felicidade, já no século passado,
era um produto acabado.

segunda-feira, junho 18, 2007

Algumas Mulheres deste Baile

Felicidade

Que prazer
em viver este Baile!

Imensas estreias confesso que já vivi, mas sem dúvida, nenhuma igualável a esta.
Estreia que me estimulou a percorrer por dentro o olhar de gente simples com rostos
amadurecidos e de sonhos adiados que nunca chegaram a viver.
Estreia também como ponto de partida em conjunto onde poderemos desfrutar este prazer da simplicidade em se contar histórias simples, de gente como nós, através do teatro.

Certeza eu tenho, de que a felicidade também é isto!

Alguns Homens deste Baile








sábado, junho 16, 2007

A PEÇA DE TEATRO "O BAILE" JÁ COMEÇOU!


PRÓXIMOS ESPECTÁCULOS: 16 /17 /23 E 24 DE JUNHO 21.30H

LOCAL : SALÃO DOS BOMBEIROS DA SALVAÇÃO PÚBLICA

INTERVENIENTES:UTIBTEATRO (Turma de Teatro) UTIBDANÇA (Turma de Dança) CORUTIB (Coro da UTIB)


terça-feira, maio 22, 2007

Pôr de Lua!


Registo


A Lua
Encheu o peito
de pranto
tornou-se triste
e sempre em crescente
ficou morta de cansaço


A noite era fria
O céu envergonhado
mas a bramir
por vingança
escondeu-se noite adentro
e cabisbaixo ficou.

Ela, tipo contraluz
estava como sempre
fulgurante, bonita.
Os olhos
mantinham-se

expressivos
sinceros
solidários
e cinzentos.

No rosto
um sorriso resgatado
despontado a nascente

quedou-se, no corpo
afável e terno que prometia

esconder a lua dentro da pele
se necessário fosse.

Na cidade
encerravam ocorrências
locais de estacionamento
e lojas de pronto a vestir.

E viam-se autocarros
em contra-relógio apinhados

que teimavam em deslizar.

Na rádio uma cantora rouca
de voz mal colocada
deitava fora uma canção
em que falava de um sol redondo.

Anunciava-se ainda
Uma outra marca de chicletes
um brutal aumento da gasolina
E mais uma fábrica que encerrava
Desta vez em Paços de Ferreira.

E ruas acima protestava-se
não contra o desemprego
mas apenas
porque o fulano de tal
que marcava muitos golos
na terra dele
já não vinha para o Benfica.

Porra, assim perdemos sempre!


sexta-feira, maio 11, 2007

Próximos Espectáculos da "Boa Alma de SETSUAN"












(Foto de Zé Encarnação / Mini)


Centro Marques da Costa (Santo André)

Sábado 02 de JUNHO

Sábado 12
de Maio 21.30H

SFAL (Lavradio) Sábados 19 e 26 de Maio 21.30H

sábado, abril 14, 2007

domingo, abril 08, 2007

"A BOA ALMA DE SETSUAN" de Bertolt Brecht

A Boa Alma de Setsuan

Na comemoração dos 10 anos de actividade do PROJÉCTOR-TEATRO



Texto impressionante, escrito em 1941, na época em que Brecht vivia, exilado da Alemanha nazi, na Alemanha Oriental.
Sem nunca perder as origens do seu teatro épico,esta talvez seja a mais lírica peça de Brecht;contudo ela caracteriza uma luta ideológica do ser humano, ao tentar sair da miséria mas sem nunca o conseguir.
Nela se mostra a trajectória de uma prostituta Chen Te que acolhe em sua casa três Deuses disfarçados de homens. Eles confiam à jovem a missão de fazer o bem ao povo da cidade. Para tanto oferecem-lhe, por lhes terem dado abrigo, uma recompensa em dinheiro, com o qual ela adquire uma pequena tabacaria.
De imediato o pequeno negócio (tabacaria) de Shen Te é invadido por uma numerosa família de indigentes e desempregados,tornando-se uma referência para a população e numa dor de cabeça para Shen Te.
Mas como ser uma Boa Alma e ao mesmo tempo sobreviver naquele e neste mundo competitivo em que vivemos?
Esta peça escrita há 66 anos, representa uma visão actualíssima sobre a corrupção generalizada que reina em todo o sistema capitalista e que também nesta história é disso exemplo.