Abandonei-me sem medos
Não sei se me descobrirei
alguma vez, pois ando a monte.
Desconheço, realmente, por onde caminho
mas pretendo descobrir se ainda
estou ou não comigo.
Por isso necessito revelar-me de longe
projectar-me na vida para me observar
mas sem contudo saber que me analiso.
Quero penetrar nas margens do meu ser
que me estimulam e projectam
para descobrir que trilhos
e que rios me guiam e orientam.
Preciso de chorar e rir
mas divorciado de bússolas orgânicas
Saber-me à minha procura
sem me avisar, a mim próprio
de que talvez nunca mais
me hei-de encontrar, é o que exijo ao meu ego
Paradoxalmente quero amar, lutar,
e observar-me-ei indiferente às chicotadas
que me rasgarem a pele e me torturarem a alma.
Provavelmente voltarei um dia
quando deixarem dúvidas de existir
se tenham desintegrados.
E…nesse dia…
Encontrar-me-ei...
Comigo...
É bem provável…
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