SEXTA-FEIRA 24 Outubro / às 15 horas, nos "FRANCESES"
Integrado nas actividades do mês do idoso a Utibteatro apresenta:
"VIDAS a PRETO e BRANCO"
e SÀBADO 25 Outubro 21.30h no Ginásio da Baixa da Banheira.




O Sol
nesse dia chegou
já passavam
das dez da noite e
na rua todos diziam
que já não valia a pena.
Os Astronautas
que aguardavam
impacientemente
a Lua
tiveram que se entreter
até que ela nascesse;
Enquanto esperavam
foram vendo a TV até às tele-vendas
E a bocejar iam comendo tremoços
e beliscavam-se confrangedoramente
afim de não adormecerem.
Fora da nave
As pessoas
como que indiferentes
bebiam café
e bronzeavam-se
através do buraco do ozono
com água tónica e sais minerais.
Eu
Quando ele surgiu
paralisei-o pela cintura
com todas as minhas forças de gravidade
fi-lo sorrir até se manifestarem os caninos
e não mais o deixei partir.
Ele era meu cúmplice
Só eu sabia
porque ele,o sol, aparecera
naquela noite
àquela hora.
Tinha deixado de nascer para todos.
Vendido!



quando tinha vinte anos
e um coração
a levantar cidades
em busca de ti
ao sabor dos desenganos ?...
Em que maio estavas tu
quando a memória me disse
que te avistara
numa rua de esperança
a nascer no poente
e o sabor do silêncio
a morrer a nascente ?...
Em que maio estavas tu
quando o zeca lhe chamou maduro
e te pôs na boca um sol de abril
enquanto crescias
com cantigas de amor
sempre à volta dos teus dias ?...
Em que maio estavas tu
quando os beijos se perderam
no meio da tempestade
onde tudo aconteceu
e os olhos se beberam
e uma lua se acendeu ?...
Os "Vampiros" andam de novo por aí.
No céu cinzento sob o astro mudo
Batendo as asas pela noite calada
Vêm em bandos com pés veludo
Chupar o sangue fresco da manada
Se alguém se engana com seu ar sisudo
E lhes franqueia as portas à chegada
Eles comem tudo eles comem tudo
Eles comem tudo e não deixam nada [bis]
A toda a parte chegam os vampiros
Poisam nos prédios poisam nas calçadas
Trazem no ventre despojos antigos
Mas nada os prende às vidas acabadas
São os mordomos do universo todo
Senhores à força mandadores sem lei
Enchem as tulhas bebem vinho novo
Dançam a ronda no pinhal do rei
Eles comem tudo eles comem tudo
Eles comem tudo e não deixam nada
No chão do medo tombam os vencidos
Ouvem-se os gritos na noite abafada
Jazem nos fossos vítimas dum credo
E não se esgota o sangue da manada
Se alguém se engana com seu ar sisudo
E lhe franqueia as portas à chegada
Eles comem tudo eles comem tudo
Eles comem tudo e não deixam nada
Eles comem tudo eles comem tudo
Eles comem tudo e não deixam nada