A turma A de teatro da UTIB (Universidade da 3ª Idade do Barreiro) estreou ontem
sábado 14 de Junho e com novo espectáculo
hoje domingo às 16 horas
"O Raio das Coristas"

Um espectáculo Muito Bonito!



quando tinha vinte anos
e um coração
a levantar cidades
em busca de ti
ao sabor dos desenganos ?...
Em que maio estavas tu
quando a memória me disse
que te avistara
numa rua de esperança
a nascer no poente
e o sabor do silêncio
a morrer a nascente ?...
Em que maio estavas tu
quando o zeca lhe chamou maduro
e te pôs na boca um sol de abril
enquanto crescias
com cantigas de amor
sempre à volta dos teus dias ?...
Em que maio estavas tu
quando os beijos se perderam
no meio da tempestade
onde tudo aconteceu
e os olhos se beberam
e uma lua se acendeu ?...
Os "Vampiros" andam de novo por aí.
No céu cinzento sob o astro mudo
Batendo as asas pela noite calada
Vêm em bandos com pés veludo
Chupar o sangue fresco da manada
Se alguém se engana com seu ar sisudo
E lhes franqueia as portas à chegada
Eles comem tudo eles comem tudo
Eles comem tudo e não deixam nada [bis]
A toda a parte chegam os vampiros
Poisam nos prédios poisam nas calçadas
Trazem no ventre despojos antigos
Mas nada os prende às vidas acabadas
São os mordomos do universo todo
Senhores à força mandadores sem lei
Enchem as tulhas bebem vinho novo
Dançam a ronda no pinhal do rei
Eles comem tudo eles comem tudo
Eles comem tudo e não deixam nada
No chão do medo tombam os vencidos
Ouvem-se os gritos na noite abafada
Jazem nos fossos vítimas dum credo
E não se esgota o sangue da manada
Se alguém se engana com seu ar sisudo
E lhe franqueia as portas à chegada
Eles comem tudo eles comem tudo
Eles comem tudo e não deixam nada
Eles comem tudo eles comem tudo
Eles comem tudo e não deixam nada
Foi com base no texto de Lucien Lambert “As Vedetas”; Literatura fresca, versátil, com um texto contemporâneo, terrivelmente denso mas entusiasmante; pleno de conflitos intimistas aqui e ali cercados por momentos sagrados de grande dramatismo, que me posicionei para iniciar esta viagem cénica sobre as audições ou Castings como ora se diz.
Procurei servir-me da abordagem aos bastidores do, nem sempre preparado espectáculo, quais labirintos, onde se erguem e destroem futuros em ambientes controversos, imperando quase sempre a lei dos mais audazes e oportunistas.
Negócio competitivo, às vezes cruel e perigoso, nomeadamente para jovens inexperientes que buscam nas imagens das TVs e etiquetas da moda, o caminho do vedetismo e da fama, que poderá passar nas suas vidas um dia destes.
Mas neste Universo dos Vinte e dois mil seiscentos e setenta e cinco actores desempregados, existem milhares de Simones e Silvies, loiras ou morenas, também elas à espera que surja o tal dia Sim, neste calendário impregnado de dias Não…! Porque elas estão dispostas a aceitar tudo, mas mesmo tudo, aquilo que o mercado lhes oferecer, desde que lhes peçam qualquer coisa, quando e como quiserem.
Porque triunfar é preciso e o sonho, em nome do futuro, é sempre a última coisa a morrer.





Já
Depois de manter caladas as sílabas
Das palavras só pensadas
Já
Depois de chegar quando todos partiam
De partir quando todos chegavam
Já
Depois de ser sábado no domingo de todos
De ser sombra no brilho disforme
Já
Depois de ser lua-cheia no quarto-minguante
De ser preia-mar na maré vazia
Já
Depois de ser ocidente no lado poente
De ser paz na guerra dos outros
Já
Depois
Bem depois...
Senti a vida na morte
Amei bem longe o que é perto
Troquei o azar pela sorte
Fiz a viagem
Parti
Chegarei!...

Se na cidade do Ódio
Eu visse uma casa de Amor
Se na rua da Tristeza
Eu visse uma porta de Alegria
Se nos olhos do Desespero
Eu visse uma lágrima de Esperança
Se no coração do Conflito
Eu visse uma artéria de Paz
Se nos bolsos da Caridade
Eu visse uma nota de Solidariedade
Se no mar da Contradição
Eu visse uma maré de Verdade
Se no País das Promessas
Eu visse razão na Justiça Social
Pelo Natal!