sexta-feira, agosto 10, 2007

S A U D A D E


Há entre mim e a noite

Uma janela de saudade
Com sombras cortadas à espada
Que choram no suplício dos dias
A sede da tua ausência

Olho-te com olhos de casas vazias
E atravesso portas
Como se penetrasse no peito
Do teu corpo de lua cheia

Agora tu não existes
Mas deixa-me inventar-te
Porque tu és feita de mar
E eu apenas um rio
Que corre em maré cheia
E a querer em ti desaguar

Tento construir em todas as ruas
O teu nome em arabescos coloridos
Mas que se leiam no fundo
Do tempo sem memória

Pois para além de mim
Há beijos enlouquecidos
Que ficaram à beira mar
Quando o sol se Pôs.

terça-feira, julho 24, 2007

O Prof.Kira lá me certificou!



Não sei ainda como foi;
Pois se para mim o céu e o rio são Amarelos ou Cinzentos!
Mas o que é certo, é que está aqui o Certificado
assinado por ele. Prof. Kira


quarta-feira, julho 11, 2007

Complicadas Coisas

Porquê esse silêncio quando entrei no café?
Porque é que se calaram quando nasci?
Por respeito, inveja ou despeito?
Ou porque certas coisas já emitidas me queriam omitir?
Culpa, não tive nenhuma porque ninguém
me consultou, se estava ou não interessado em aparecer.
obviamente! Os meus pais trocaram votos,alianças e assinaturas pela igreja.
Claro, viveram como todos os demais, pobres… mas felizes, entre comas que não são parêntesis.
Eles sabiam lá, que se vendiam camisas de Vénus, preservativos ou camisinhas no Chiado ou nos Champs- Elyssées!
Ou que o coito se interrompia na América em Amesterdão ou na Praça do Brasil.
A minha avó era apenas Maria e bonita e o meu avô
nos anos da guerra, passava horas nas filas, ou bichas, sem serem gays, dos géneros racionados e morreu tuberculoso.
Dizem, que chegou a ir à sopa do Sidónio que era Pais e déspota deste País à beira mar plantado pelos Árabes.
Ninguém, antes de nascer, me contou.
Juro que ninguém me confidenciou, que o leite de cabra estava esgotado... e que o feito em pó, se bebia como alternativa.
E que anos depois entraríamos na era do consumismo, da cola-cao e da Coca-Cola, que davam automóveis.
Também ninguém, colocou a boca no trombone p´ra me dizer, que havia uma guerra para cumprir, que nenhum de nós encomendara e uma farda para vestir, que larga me ficava e que mais magro me fazia sentir e parecer.
Que haviam mulheres, sem planeamento familiar, que à esquina me atormentavam, para com elas trocar dinheiro por espermatozóides, fazendo de mim mais um, talvez…o Vinte mil e tal.
Ninguém me informou também, que casas e empregos não haviam para todos, mesmo que se inscrevessem nas Instituições ditas Governamentais.
E que ao nascermos, seríamos mais um, para connosco dividirem a dívida externa.
E também nunca me disseram, que tínhamos de importar ministros, cerejas e dentistas e exportar futebolistas,tudo isto a bem da Nação e sem nos importarmos.
Ninguém, nem por uma vez, me disse que alguns só almoçavam dia sim, dia não e outros ainda, só dia não, dia não.
E também...
Nunca, mas mesmo nunca, me disseram…
Que a felicidade, já no século passado,
era um produto acabado.

segunda-feira, junho 18, 2007

Algumas Mulheres deste Baile

Felicidade

Que prazer
em viver este Baile!

Imensas estreias confesso que já vivi, mas sem dúvida, nenhuma igualável a esta.
Estreia que me estimulou a percorrer por dentro o olhar de gente simples com rostos
amadurecidos e de sonhos adiados que nunca chegaram a viver.
Estreia também como ponto de partida em conjunto onde poderemos desfrutar este prazer da simplicidade em se contar histórias simples, de gente como nós, através do teatro.

Certeza eu tenho, de que a felicidade também é isto!

Alguns Homens deste Baile








sábado, junho 16, 2007

A PEÇA DE TEATRO "O BAILE" JÁ COMEÇOU!


PRÓXIMOS ESPECTÁCULOS: 16 /17 /23 E 24 DE JUNHO 21.30H

LOCAL : SALÃO DOS BOMBEIROS DA SALVAÇÃO PÚBLICA

INTERVENIENTES:UTIBTEATRO (Turma de Teatro) UTIBDANÇA (Turma de Dança) CORUTIB (Coro da UTIB)


terça-feira, maio 22, 2007

Pôr de Lua!


Registo


A Lua
Encheu o peito
de pranto
tornou-se triste
e sempre em crescente
ficou morta de cansaço


A noite era fria
O céu envergonhado
mas a bramir
por vingança
escondeu-se noite adentro
e cabisbaixo ficou.

Ela, tipo contraluz
estava como sempre
fulgurante, bonita.
Os olhos
mantinham-se

expressivos
sinceros
solidários
e cinzentos.

No rosto
um sorriso resgatado
despontado a nascente

quedou-se, no corpo
afável e terno que prometia

esconder a lua dentro da pele
se necessário fosse.

Na cidade
encerravam ocorrências
locais de estacionamento
e lojas de pronto a vestir.

E viam-se autocarros
em contra-relógio apinhados

que teimavam em deslizar.

Na rádio uma cantora rouca
de voz mal colocada
deitava fora uma canção
em que falava de um sol redondo.

Anunciava-se ainda
Uma outra marca de chicletes
um brutal aumento da gasolina
E mais uma fábrica que encerrava
Desta vez em Paços de Ferreira.

E ruas acima protestava-se
não contra o desemprego
mas apenas
porque o fulano de tal
que marcava muitos golos
na terra dele
já não vinha para o Benfica.

Porra, assim perdemos sempre!


sexta-feira, maio 11, 2007

Próximos Espectáculos da "Boa Alma de SETSUAN"












(Foto de Zé Encarnação / Mini)


Centro Marques da Costa (Santo André)

Sábado 02 de JUNHO

Sábado 12
de Maio 21.30H

SFAL (Lavradio) Sábados 19 e 26 de Maio 21.30H

sábado, abril 14, 2007

domingo, abril 08, 2007

"A BOA ALMA DE SETSUAN" de Bertolt Brecht

A Boa Alma de Setsuan

Na comemoração dos 10 anos de actividade do PROJÉCTOR-TEATRO



Texto impressionante, escrito em 1941, na época em que Brecht vivia, exilado da Alemanha nazi, na Alemanha Oriental.
Sem nunca perder as origens do seu teatro épico,esta talvez seja a mais lírica peça de Brecht;contudo ela caracteriza uma luta ideológica do ser humano, ao tentar sair da miséria mas sem nunca o conseguir.
Nela se mostra a trajectória de uma prostituta Chen Te que acolhe em sua casa três Deuses disfarçados de homens. Eles confiam à jovem a missão de fazer o bem ao povo da cidade. Para tanto oferecem-lhe, por lhes terem dado abrigo, uma recompensa em dinheiro, com o qual ela adquire uma pequena tabacaria.
De imediato o pequeno negócio (tabacaria) de Shen Te é invadido por uma numerosa família de indigentes e desempregados,tornando-se uma referência para a população e numa dor de cabeça para Shen Te.
Mas como ser uma Boa Alma e ao mesmo tempo sobreviver naquele e neste mundo competitivo em que vivemos?
Esta peça escrita há 66 anos, representa uma visão actualíssima sobre a corrupção generalizada que reina em todo o sistema capitalista e que também nesta história é disso exemplo.

sexta-feira, março 02, 2007

Amanhã talvez...



Amanhã talvez…

Talvez um dia
Hei-de achar os olhos
trocados no meu sonho
e procurar
por dentro dos telhados
no seu leito às avessas
um rio inquieto


Em ti guardei
o meu desejo

em noites por dormir
alimentando
um fogo que era meu

em busca do grito das aves

que todas as primaveras
me visitam com
carácter de urgência

Tantas vezes coloquei
a cabeça no teu tempo
com a noite a ameaçar

a sombra
das minhas palavras.

Hoje sinto

que tenho sede
desses olhos
que endoidecem
a alegria do girassol
e habitam em casas
que vestem de silêncio
o corpo dos meus dias.

segunda-feira, fevereiro 05, 2007

PARABÉNS TELA





PARABÉNS

POR NOVO DESAFIO VENCIDO!







"Sopinhas de Mel"
"
Um homem e uma mulher como no princípio do mundo! Sopinhas de mel ou de fel. Tal como sina, fado ou destino cruel. Texto de excelente qualidade dramática, que nos transporta por vezes ao absurdo do teatro. Duas malas. Duas fugas. Duas vidas. Um homem e uma mulher protagonizam um diálogo de acaso, onde se respira uma grande densidade humana, fazendo projectar, num desdobramento emocional das suas personalidades, os seus sonhos, o que confere à representação um encantamento paradoxal. Ele e ela frágeis, maduros, perseguindo uma fuga de fora para dentro e transportando a vida dentro de malas ou as malas dentro das próprias vidas. Um homem e uma mulher, sem abrigo, mais perto das estrelas do que das coisas materiais, retomam a marcha da humanidade. Gostariam, também, de ter inventado o amor, mas não tiveram tempo. Talvez venhamos sempre feridos do passado. E precisamos sempre de o descobrir por nós, ou de o inventar…

terça-feira, janeiro 30, 2007

O MEU NOVO TRABALHO COM O TELA

ESTREIA

Tela Teatro


"Sopinhas de Mel"
de Teresa Rita

Sexta Feira 02 Fevereiro 2007 - No Multiusos de Águas de Moura




Outros
dias de Fevereiro e locais já marcados:

Sabado 03 Águas de Moura
Sexta 0
9 Poceirão
Sabad
o 10 Pegôes
Sexta 16 Pinhal Novo

Sabado 17 Ba
irro Alentejano
Sexta 23 Barreiro (Auditório dos Bombeiros)
Sabado 24 Lavradio (SFAL)

sábado, dezembro 09, 2006

O Teatro como Actividade Municipal e Interesse Nacional





PORQUE ESTÃO OS TEATROS VAZIOS?

Simplesmente, porque o público não vem. Culpa de quem? Unicamente do Estado. Se cada um de nós se visse obrigado a ir ao teatro, as coisas mudariam completamente. Porque não instituir o teatro obrigatório? Porque é que instituímos a escola obrigatória? Porque nenhum estudante iria à escola se não fosse obrigado. É verdade que seria mais difícil instituir o teatro obrigatório, mas nós não podemos ter ambas as coisas se tivermos boa vontade e o senso do dever?
Além disso: o teatro não é uma escola? Então... O teatro obrigatório poderia começar na infância com um reportório de contos próprios para crianças como: "O grande anão malvado" ou "O lobo e as sete Brancas de Neve".
Numa grande metrópole:temos umas 100 escolas e 1000 crianças por escola, cada dia, o que faz 100 mil crianças diárias. Essas 100 mil crianças irão de manhã à escola e, de tarde, ao teatro obrigatório. Preço de Ingresso por espectador-criança: 50 cêntimos, custeados pelo Estado. E isso dá-nos 100 teatros cada um, com 1000 lugares ocupados: E 50 mil
euros de receitas para as Companhias teatrais.
Quantos mais actores teriam emprego?

Instituindo o Estado o teatro obrigatório, nós transformaríamos completamente a vida económica. Porque não é absolutamente a mesma coisa perguntar: "Será que eu vou ao teatro hoje?" ou dizer: "Eu tenho que ir ao teatro". O teatro obrigatório levaria o cidadão a renunciar voluntariamente a todas as outras distracções estúpidas como, por exemplo o jogo de cartas, as discussões políticas de taberna, encontros amorosos e todos esses jogos sociais que tomam e devoram o nosso tempo.
Sabendo que tem de ir ao teatro, o cidadão não teria mais que escolher o seu espectáculo, ele perguntaria se iria ver essa noite A Mãe Coragem ou outra coisa? Não! Ele terá que ir ver A Mãe Coragem e outras coisas, pois será obrigado: ele terá que ir, gostando ou não gostando, 365 vezes por ano, ao teatro. O estudante, por exemplo, também não gosta de ir à escola, mas vai, porque a escola é obrigatória. Obrigatória. Por lei. Somente através da lei poderemos obrigar o nosso público a ir ao teatro. Nós tentámos anos a fio convencê-los com boas maneiras, e eis o resultado. Golpes publicitários para atrair a multidão, como: "Ar condicionado", ou então: “ É permitido fumar", ou ainda: “ "Es tudantes e militares, do general ao soldado pagam metade". Com todos estes truques não conseguimos encher as salas.
E tudo aquilo que iríamos gastar para fazer publicidade será economizado, pois o teatro será obrigatório. Quem precisa de publicidade para mandar as crianças para a escola? NINGUÈM!
Não haverá mais problemas com o preço dos bilhetes. Ele não dependerá mais da condição social, mas sim das debilidades e doenças do público.
Da 1ª à 5ª fila, teremos os surdos e os míopes.
Da 6ª à 10ª fila, os hipocondríacos e os neurasténicos.
Da 10ª à 15ª fila, os doentes de peie e os doentes da alma.
E as frisas, camarotes e galerias seriam reservadas aos reumáticos e asmáticos.
A nossa experiência ensina-nos que não seria nada bom se os bombeiros fossem somente voluntários, e por isso constituímos um corpo de bombeiros. Porque o que é bom para o corpo de bombeiros é bom para o teatro. Há uma relação íntima entre os bombeiros e o teatro.
Eu que estou nos bastidores deste meio há tantos anos, nunca vi uma peça sem que houvesse um bombeiro na plateia.
O Teatro Obrigatório Universal, que propomos, o I.O.U., levará ao teatro, numa grande cidade, cerca de dois milhões de espectadores. Será necessário, então, que haja nessa cidade 20 teatros de 100.000 lugares; ou 40 salas de 50.000 lugares; ou 160 salas de 12.500 lugares; ou 320 salas de 6.250 lugares; ou 640 salas de 3.125 lugares; ou 2 milhões de teatros de 1 só lugar.
É preciso ser actor para dar-mos conta da força que isto pode ter, quando formos confrontados pela presença, numa sala monumental, de uma assistência de 50 mil pessoas.
Eis o verdadeiro modo de ajudar os teatros que estão à beira da falência. Não se trata de distribuir tarjetas, cartazes e convites. Não. É preciso impor o teatro obrigatório. E quem o pode impor senão o Estado?

Karl \lalentím